De volta para o futuro

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O que vou escrever agora é puro delírio, sonho ou uma vontade de que a Tamburello não tivesse tirado de nós um piloto como Ayrton Senna. Hoje ele completaria 50 anos. Tal como no filme “De Volta para o Futuro”, vamos tentar imaginar o que aconteceria se ele sobrevivesse ao acidente de Imola. Quem estiver sem curiosidade ou achar que é um exercício inútil pode parar por aqui, eu entendo. Apenas queria dizer que isto me passa pela cabeça em datas como esta ou a do ano passado, quando o acidente completou 15 anos.

A batida é forte, mas Senna escapa do impacto em seu capacete e é levado com vida ao hospital. Ninguém quer mais saber da corrida, o resultado passou despercebido nas páginas dos jornais.  O assunto do mês é a sua possível recuperação. A fratura nas duas pernas aniquila o campeonato de 1994.  Boatos dizem que Senna, tal como Piquet, não voltaria mais a pilotar um carro de corrida.  Ele começa uma recuperação extraordinária, determinado a voltar ao circo da Fórmula 1.  Volta a caminhar normalmente depois de cinco meses. É visto correndo em um treino em dezembro em Estoril. Retorna em 1995, mas as Williams não são páreo para a Benetton. Ainda assim, vence cinco provas e chega em segundo no campeonato  com Schumacher bicampeão.

Em 1996 e 1997, ele aposta na reconstrução de um carro vencedor na equipe Williams, sagra-se pentacampeão e o dedica a Fangio, morto em 1995. Ainda corre em 1998, mas, aos 39 anos e com a McLaren e Ferrari dominando o campeonato, vence apenas uma corrida e decide parar. A despedida acontece no GP do Japão, onde ele conquistou seu primeiro campeonato. Senna chega ao pódio. O vencedor é Mika Hakkinen, campeão do mundo pela primeira vez. A alegria do finlandês se mistura com as lágrimas de Senna e o contraste é a primeira página de todos os jornais.

Nos anos que se seguiram, Senna continuou sendo visto nos boxes. Casado, com uma filha chamada Vitória, aceitou o convite para testar um Indy em 2001. Volta às pistas em 2002 para as 500 Milhas de Indianápolis. Chega em quarto, mas decide participar anualmente da prova.  Recebe um convite da McLaren para voltar à Formula 1 no mesmo ano, mas não se anima com o carro. Aceitaria se o convite fosse da Ferrari, mas Schumi move suas cartas para evitar uma disputa doméstica e consegue. Os tifosi acabam não vendo o capacete verde e amarelo no carro vermelho.

Em 2005, aos 45 anos, Senna finalmente consegue sua vitória nas 500 milhas e a dedica a Emerson Fittipaldi. Schumacher, heptacampeão, não consegue bater o recorde de poles do brasileiro, mas triunfa com o número recorde de vitórias. Senna é convidado por Lula para ser ministro dos Esportes, mas declina. Prefere participar como empreendedor e trabalha na formação de categorias de base no automobilismo brasileiro.

Desde 2003 é contratado da Rede Globo como comentarista das corridas de Fórmula 1 ao lado dos amigos Galvão Bueno e Reginaldo Leme. Lança um livro que fica dois anos em primeiro lugar, algo como uma biografia, mas muito usado por profissionais em palestras de autoajuda. O exemplo de Senna se torna a tradução mais bonita da palavra sucesso. Festeja os 50 anos em casa com a família e amigos, conversando e planejando seu novo desafio: a Senna Racing.

Paro de escrever por aqui. Feliz aniversário Beco, ao som de Ivone Lara e Delcio Carvalho:
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Vai mostrar esta saudade, sonho meu
Com a sua liberdade, sonho meu
No meu céu a estrela-guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu

Bruno Gouveia é vocalista do Biquíni Cavadão, uma das principais bandas do rock brasileiro, e acompanha corridas com entusiasmo desde a década de setenta. A coluna Artista na Pista é um espaço onde personalidades dos palcos, das artes cênicas ou da literatura têm um espaço aberto para comentar sua relação com os esportes a motor, especialmente a Fórmula 1.

fonte: Voando Baixo

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One Response to “De volta para o futuro”

  1. nossa deu para imaginar bem como seria …

    abraços!!!

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