Precedente perigoso

Nesta terça-feira, Michael Schumacher voltou às pistas pela primeira vez desde que foi confirmado pela Mercedes como titular para a temporada 2010. O alemão, que não pilotava um monoposto desde um teste com a Ferrari F2007 após o acidente de Felipe Massa no treino classificatório para o GP da Hungria do ano passado, fez o primeiro dos três dias de testes com um modelo de desenvolvimento da Fórmula GP2 para o próximo ano. Mas o heptacampeão só pôde sentar no carro por causa de uma liberação especial da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). E isso poderá ser um precedente perigosíssimo.

Jean Todt, ex-chefe de Schumacher na Ferrari, é o atual presidente da FIA. Desde as primeiras especulações sobre o retorno do heptacampeão à categoria, o dirigente precisa afastar os boatos de um possível favorecimento a seu amigo. Dar a ele a possibilidade de testar em um carro da GP2 quando as atividades de pista da Fórmula 1 só serão liberadas no dia 1º de fevereiro não é a melhor maneira de provar isso. Se Schumi teve esse privilégio, por causa dos três anos parado, os estreantes da temporada 2010 mereciam, pelo menos, igual concessão. O alemão conhece a categoria, apesar das mudanças nos carros. Os novatos terão de aprender em apenas 15 dias de testes (se suas equipes andarem em todos).

Após três anos muito tumultuados por escândalos extrapista, a Fórmula 1 poderá voltar a uma fase muito perigosa, quando a Ferrari e Schumacher eram favorecidos em quase todas as decisões da FIA – não à toa a entidade ganhou o apelido de “FIArrari” na época. É indiscutível que seu retorno trará mais atenção da mídia e do público, mas ele não pode ser privilegiado. Já bastam as polêmicas dos últimos anos. A F-1 não precisa de mais controvérsias, que podem agravar a crise de credibilidade que vive a categoria.

Sou contra a limitação dos testes imposta pela FIA nas bases atuais. Acho que as equipes andam muito pouco antes da temporada. Outro absurdo é não deixar que elas façam atividades durante o ano, o que dificulta muito a vida de quem precisa evoluir um carro ruim. Além disso, esta proibição é péssima também para a exposição da categoria na mídia e para o público. No entanto, se a regra precisa ser mudada, que seja mudada para todos. Nenhum piloto pode ser beneficiado em detrimento de outro. Por isso considero essa liberação para Schumacher testar um carro da GP2 um precedente perigoso. Como punir uma equipe que possa vir a realizar algum teste durante o ano, se a atividade do alemão foi liberada? Quero ver o que a FIA irá fazer.

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